Você sabe como surgiram os álbuns de figurinhas?

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De quatro em quatro anos, crianças, adolescentes e adultos formam uma extensa rede de colecionadores de figurinhas da Copa do Mundo. Várias são as formas para adquirir figurinhas para completar o tão sonhado álbum: bafo, troca de figurinhas, compras de figurinhas avulsas e por aí. Vai muito além de conhecer os jogadores dos países participantes, como também a aquisição de conhecimentos geográficos, a interação social, o fomento do comércio de álbuns, figurinhas…

Bem antes das figurinhas da Copa

O Grupo Panini é o mais importante editor de figurinhas mundial e foi fundado na cidade de Modena, na Itália, em 1961, pelos irmãos Giuseppe e Bruno Panini.Foi durante a década de 1970 que os álbuns de figurinhas de futebol da Panini ganharam a forma com a qual estamos familiarizados: cromos autoadesivos, imagens dos estádios, imagens dos estádios , equipe técnica, etc.

Entretanto, muito antes dos irmãos Panini, na Alemanha ou mesmo no Brasil, álbuns de estampas ou de figurinhas eram publicados e colecionados. O contexto em que as figurinhas colecionáveis surgiram está situado durante a virada do século 19 para 20,uma época marcada pelo aparecimento da sociedade de massa e do desenvolvimento de novas técnicas de impressão de imagens visuais em larga escala.

Através de cartões postais, cromolitogravuras, estampas e revistas ilustradas, por exemplo, as imagens passaram a ser consumidas pelo público de diferentes lugares, que através delas, abriram novas janelas para o mundo.

Em uma época em que o acesso ao conhecimento era caro e difícil, em que a maioria das pessoas era analfabeta, as imagens se tornaram uma forma importante de aquisição de conhecimento geral e mesmo de formação política.Não foi por acaso que no romance” Capitães de Areia”, escrito por Jorge Amado e lançado em 1937, que o personagem João Grande, analfabeto, após ouvir a leitura de uma reportagem sobre lampião e seu bando, ele recortou e guardou a fotografia que ilustrava a matéria. A imagem recortada serviria como um suporte visual de uma memória que reforçava a afetividade que João Grande nutria pelo rei do cangaço.

Figurinhas de cigarro

A febre das figurinhas foi iniciada pela indústria dos cigarros, nos Estados Unidos, durante o final do século 19, a exemplo da American Tabacco, que passou a incluir pequenos cartões ilustrados com fotografias e cromolitogravuras nos maços das marcas que comercializava. Os personagens e os temas dos cigarette cards eram diversos e expressavam a cultura de massa do seu tempo.

Dos Estados Unidos, a febre das figurinhas se espalhou para outros países, como por exemplo, a Alemanha, onde foram denominadas Zigarettenbild. De 1930 a 1940, as figurinhas de cigarro foram um passatempo de massa, segmentado em diversos temas, tais como Aus Wald und Flur (Da Floresta e dos Campos) ou Die Grossen der Weltgeschichte (Os Grandes da História Mundial). Uma vez reunidas, os cromos eram colados em livros ilustrados, popularmente chamados de álbuns, muitos dos quais com mais de dois volumes confeccionados com materiais de primeira qualidade.

A febre das figurinhas no Brasil

O primeiro álbum de figurinhas foi lançado no Brasil em 1900. Ele foi publicado pela tabacaria Estrela de Nazareth, sendo composto por 60 cromos sobre as bandeiras dos países do mundo.

Em 1930, surgiram as estampas eucalol. Elas tiveram como objetivo impulsionar as vendas do sabonete eucalol, produzido pela empresa Paulo Stern & Cia Ltda (a partir de 1932, a razão social mudou para Perfumaria Myrta S.A.). As primeiras séries produzidas abordaram temas brasileiros, intercalados com estampas acerca de assuntos internacionais de cultura geral. Colecionar as estampas eucalol foi uma mania que envolveu crianças e adultos.

A produção e a distribuição dos cartões foram encerradas em 1957. Durante os 27 anos foram emitidas 2.400 estampas diferentes, organizadas em 54 temas, entre os quais o envolvimento do Brasil com a Segunda Guerra Mundial e a Força Expedicionária Brasileira – FEB.

Nas décadas seguintes, apareceram diversos álbuns de figurinhas de balas, a exemplo das balas atlas, cujo tema envolveu conhecimentos gerais sobre geografia e história do Brasil e dos estados da federação. Somente em 1950, foi lançado no país o primeiro álbum de figurinhas específico sobre futebol, motivado pela realização do mundial do Brasil naquele ano.

A editora Abril foi uma das responsáveis pela popularização das figurinhas entre o público jovem, especialmente, durante a década de 1980. Os temas das suas coleções eram variados, sendo os cromos comercializados em bancas de jornais espalhadas pelo país. Em 1986, por exemplo, em parceria com a Marvel Comics Group e a ICA Press, a Abril lançou a coleção Heróis Marvel em Ação, formada por 192 cromos autoadesivos que eram fixados em um livro ilustrado rico em informações sobre os heróis e vilões dos quadrinhos do universo Marvel. Além dela, outra editora responsável pelo lançamento de álbuns e coleções de figurinhas durante o período foi a CEDIBRA, que em 1986, colocou em circulação o álbum dos Transformers.

Voltando ao futebol, em 1989, a Abril, em parceria com a Panini, lançou o primeiro álbum oficial de figurinhas do Campeonato Brasileiro, o “Brasileirão” da série A.

Nas décadas seguintes, apareceram diversos álbuns de figurinhas de balas, a exemplo das balas atlas, cujo tema envolveu conhecimentos gerais sobre geografia e história do Brasil e dos estados da federação. Somente em 1950, foi lançado no país o primeiro álbum de figurinhas específico sobre futebol, motivado pela realização do mundial do Brasil naquele ano.

A editora Abril foi uma das responsáveis pela popularização das figurinhas entre o público jovem, especialmente, durante a década de 1980. Os temas das suas coleções eram variados, sendo os cromos comercializados em bancas de jornais espalhadas pelo país. Em 1986, por exemplo, em parceria com a Marvel Comics Group e a ICA Press, a Abril lançou a coleção Heróis Marvel em Ação, formada por 192 cromos autoadesivos que eram fixados em um livro ilustrado rico em informações sobre os heróis e vilões dos quadrinhos do universo Marvel. Além dela, outra editora responsável pelo lançamento de álbuns e coleções de figurinhas durante o período foi a CEDIBRA, que em 1986, colocou em circulação o álbum dos Transformers.

Voltando ao futebol, em 1989, a Abril, em parceria com a Panini, lançou o primeiro álbum oficial de figurinhas do Campeonato Brasileiro, o “Brasileirão” da série A

Referências

BRIGGS, Asa; BURKE, Peter. Uma história social da mídia: de Gutemberg à Internet. 3. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2016.

RIZZO, Wagner Antonio. Fina(s) estampa (s): as estampas eucalol e a memória publicitária brasileira. Brasília: Editora da UnB, 2014.

Como citar este artigo

NETO, Wilson de Oliveira. Uma breve história dos álbuns de figurinhas. In: Café História. Disponível em: https://www.cafehistoria.com.br/uma-breve-historia-dos-albuns-de-fugirinhas/ ISSN: 2674-5917. Publicado em: 19 set. 2022.

Foto de Silvia Barroco

Silvia Barroco

Silvia Helena, brasileira, casada e mãe, atua há 30 anos na educação e 15 na consultoria jurídica administrativa e empresarial, além de ser apaixonada por literatura.

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